Os japoneses além de possuírem uma cultura e intelecto invejáveis, dispõe de uma sensibilidade tão incrível quanto a capacidade de transmiti-la. Esses dons desaguaram todos de maneira extremamente conveniente e praticamente simbiótica na linguagem artística denominada ‘anime’. Os animes costumam abordar histórias altamente complexas e dotadas de um profundo mergulho nos labirintos da alma e mente, pouco importando se o mundo conhecido como sendo o mundo real se dissolve para ceder lugar a mundos onde são perfeitamente cabíveis as tramas e os dramas de ficções e sobrenaturalidades várias. A trilha sonora, o enredo, os personagens, o modo quase que divino de insuflar vida num desenho, são os meios nos quais os animes seduzem qualquer um que possua o mínimo de gosto por algo mágico. Assisto animes desde a tenra infância. Lembro-me de sentar no chão da sala da casa dos meus avós e assistir na extinta rede manchete Cavaleiros do Zodíaco e Shurato enquanto bebia um copão de vitamina de abacate preparado pela minha avó. Esse era sempre um momento muito especial onde eu ficava completamente hipnotizado e fisgado por aquelas animações que cintilavam na tela da televisão como que uma espécie de manifestação fantasmagórica ou espiritual. E por falar em fantasmas e espíritos, os animes costumam explorar com excelência esses assuntos, aliás, ouso dizer que essa é uma característica régia dos animes: lidar com o metafísico. Os orientais possuem uma visão predominantemente holística da vida, para eles o material e espiritual são um só e isso é refletido nos animes. A primeira vez que ouvi falar sobre o mundo espiritual fora através de um anime, e sendo eu um ser com stellium em escorpião, automaticamente me senti bastante atraído por tal temática.
Porque assistir animes? Essa é uma pergunta que merece ser respondida
não por você, mas pelo teu espírito. Pois a sensação de assistir a um
bom anime é algo que palavras não descrevem. Ainda hoje, aos vinte e
cinco anos de idade, sinto aquele frio na barriga e aquele sentimento de
precoce nostalgia tanto ao assistir um anime quanto a finalizar um
anime. Eu diria que assistir ao último episódio de um anime no qual você
esteve completamente imerso e envolto, é algo tão diabolicamente
especial que acaba sendo comparável ao término de um importante namoro
ou algo assim. Eu assisto animes porque gosto da sensação que eles me
provocam, gosto dos sentimentos que eles me afloram, e gosto
principalmente das valiosas reflexões e insights que eles me
proporcionam. “Se eu não puder matar a Priscila, tudo perde o sentido”.
Frase não muito ortodoxa proclamada num anime nada ortodoxo chamado
Claymore. Essa é uma das distopias que você encontrará no mundo dos
animes, e caso você passe a assistir animes não como um espectador
sedento por mero entretenimento, mas sim como a um amante das artes e
investigador da vida, estejas preparado para perder o significado do bem
e do mal, do certo e do errado. Pois tais conceitos são puramente
humanos e os animes existem numa dimensão não humana (embora utilizem-se de
canais humanos para propagarem-se).



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